Participação no episódio 54 do podcast da República Marketing Político falando sobre o Twitter e o marketing político e eleitoral
https://soundcloud.com/republicacast/mkt-pol-54-canais-de-comunicacao-twitter-com-alessandra-fedeski
quinta-feira, 12 de dezembro de 2019
quarta-feira, 23 de outubro de 2019
Os desafios de comunicação das próximas eleições legislativas
Artigo publicado no portal Comunique-se em 21/10/2019- https://portal.comunique-se.com.br/os-desafios-de-comunicacao-das-proximas-eleicoes/?fbclid=IwAR3JM_ymo5uIHEISiTdK0Mn8adUjXjyQ82MV1hk8JXOGvfXQDboVq9hE4-A
A cada
nova eleição, a complexidade em acertar o tom das campanhas legislativas
aumenta. Além de questões já comuns nos pleitos como o grande número de
concorrentes e os recursos financeiros reduzidos, os candidatos deparam-se com
desafios que envolvem a disputa pela atenção na internet- especialmente nas
redes sociais- e o alinhamento dos seus projetos com as demandas dos eleitores
naquele momento.
Interessados
em solucionar problemas de saúde, educação e segurança preenchem as redes
sociais de forma tão comum que os temas se banalizaram. A enxurrada de
conteúdos com promessas que, sabidamente serão difíceis de saírem do plano das
utopias; as frases de efeito e as fotos de agenda são cada vez menos capazes de
captar a atenção do eleitor. É preciso gerar um envolvimento com o conteúdo que
transcenda o engajamento do protesto, que é quando o usuário traça comentários
relacionados à corrupção, falta de vagas nos hospitais, etc. Neste sentido, a
originalidade é um desafio permanente para se destacar em meio a tantas
postagens de conteúdo semelhante. Uma alternativa é contar histórias, de forma
simples e direta, que estimulem a emoção, que gerem identificação com o
conteúdo transmitido, para marcar de forma positiva determinada proposta ou
ação já realizada, e não apenas ser mais um a prometer melhorias na educação,
por exemplo.
Em
nível semelhante de importância, o acerto da narrativa envolve a captação dos
sentimentos das pessoas de uma determinada região eleitoral, seja com pesquisa
de campo, seja com pesquisa online, seja, até mesmo, com o diálogo individual. Isso
porque o aumento da polarização política tende a dificultar o entendimento de
algumas dessas demandas, pois determinados indivíduos silenciam suas opiniões
sobre assuntos polêmicos com o intuito de não gerar atrito social.
Por
essas razões, a pré-campanha é fundamental para o eleitor conhecer o candidato
e para o candidato conhecer seu possível eleitor.
O fim da era dos likes
Artigo publicado no portal Gaúcha ZH em 04/05/2019- https://gauchazh.clicrbs.com.br/opiniao/noticia/2019/05/o-fim-da-era-dos-likes-em-campanhas-eleitorais-cjv8o6y2e00sw01maeh8rkcs4.html
O
Instagram anunciou recentemente que a rede social irá realizar testes para
implementar uma mudança de alto impacto entre seus usuários. Possivelmente, em breve, o número de
curtidas, os denominados likes, não serão mais visíveis em fotos
e vídeos da plataforma. Apenas o usuário terá acesso aos seus números
individuais.
Para
além das modificações que veremos, caso seja a alteração seja efetivamente realizada,
gostaria de visualizar o cenário da campanha eleitoral brasileira que se
aproxima e como os candidatos deverão focar suas estratégias de engajamento,
aproximação e relacionamento.
Entendo
que o número de likes movimenta o ego
de determinadas pessoas, porém, ele sozinho não garante a efetividade daquilo
que se que transmitir. Essa lacuna ganhou ainda mais amplitude com a
possibilidade de compra de likes. O
que vai evidenciar se determinada mensagem foi aceita ou não em uma campanha
eleitoral é o número de votos na urna. Like
não é garantia de voto, mas ainda assim percebemos políticos apegados nessa
métrica, em razão, creio eu, da forte influência que as redes sociais vêm
obtendo nas eleições, especialmente na última.
É
necessário ampliar a nossa percepção do papel das redes sociais, deixar a
objetividade numérica em segunda plano e focar na relação de troca entre
usuários. O que determina o quanto uma mensagem está funcionando como o
planejado- com o conteúdo sendo levado para fora da plataforma, com o seu autor
em evidência- é o uso que as pessoas fazem dela: seja comentando determinada
postagem, seja levando o assunto para outros meios de comunicação ou alterando
seu comportamento de alguma forma.
Com a
redução da pressão por número de curtidas, a própria produção de conteúdo
deverá ser modificada e veremos que uma mensagem alcança seu objetivo quando
transcende o smartphone,
independentemente de quantas curtidas ela obteve.
Instagram deve ampliar presença nas próximas campanhas eleitorais
Artigo publicado no portal Coletiva.net em 17/04/2019- http://coletiva.net/artigos-home/instagram-deve-ampliar-presenca-nas-proximas-campanhas-eleitorais,297530.jhtml
Faltando
cerca de um ano e meio para as eleições municipais, os profissionais envolvidos
no processo que irá eleger prefeitos e vereadores começam a dar o tom do que
deve estar em destaque nas campanhas. É neste contexto, e ainda sobre forte
influência das eleições de 2018, que as redes sociais seguem com grande
importância nos planejamentos de comunicação.
O
Facebook ainda é a rede social de maior penetração em nosso país, com 127
milhões de usuários, mas vem perdendo força- segundo pesquisa recente realizada
pelo instituto Datafolha que apontou uma redução no número de usuários- e
credibilidade- diante de mais um escândalo de vazamento de informações
confidenciais. Em paralelo, a forte tendência de crescimento do tráfego na
internet das imagens e vídeos tende a ampliar de forma considerável a presença
do Instagram nas estratégias de comunicação dos candidatos. Os grandes textos
utilizados no Facebook perdem espaço para as imagens, vídeos, gifs e stories na atenção dos usuários, pois de forma rápida e com uma
dinâmica visual forte, atraem aqueles buscam entretenimento e relacionamentos
nas redes.
Na
palma das mãos de milhões de brasileiros, o aplicativo de mensagens Whatsapp deve seguir como outra grande
força das campanhas, como ocorrido no último pleito. Com 120 milhões de
usuários no Brasil, o aplicativo também é considerado como uma rede social, com
potencial de gerar empatia e envolvimento entre candidato e eleitores. Por meio
do aplicativo circulam conteúdos que podem ser compartilhados instantaneamente,
atingindo o grande público, de forma ampla ou segmentada.
As
três redes fazem parte da rotina diária dos usuários de internet do Brasil, e estarão
fortemente presente nas campanhas do próximo ano, com destaque àquelas que
dispensam menor atenção e concentração por parte do usuário no consumo do
conteúdo.
A comunicação no novo cenário político brasileiro
Artigo publicado no portal Comunique-se em 13/02/2019- https://portal.comunique-se.com.br/a-comunicacao-no-novo-cenario-politico-brasileiro/?fbclid=IwAR3oBifBeaKuhG1fpNLEwzLuSFprjVPYNJ2d5YtnbdlmZCjD75ZLUnizEn0
A renovação das cadeiras do Congresso Nacional terá reflexos na comunicação política que até então vinha sendo feita? Creio que sim, pois da mesma forma que as redes sociais tiveram responsabilidade pela eleição do presidente Jair Bolsonaro e pela pressão popular para a queda de Renan Calheiros da presidência do Senado, elas também serão as protagonistas deste novo cenário político brasileiro, o que inclui a comunicação realizada nos mandatos.
As estratégias de comunicação dos profissionais da comunicação e do marketing político devem considerar o amplo uso das redes pelo próprio político, com selfies e vídeos feitos nos mais variados momentos, com postagens de cunho pessoal se mesclando com as de cunho profissional – essas planejadas e produzidas pelas equipes de comunicação. Mas esse é também o comportamento de boa parte dos usuários das redes sociais, ainda que sem estratégia previamente definida, porém com força para se difundir de forma rápida e expressiva. Essa proximidade entre o político e o eleitor, fortalecida amplamente pelas redes sociais, vai estar cada vez mais presente no decorrer dos mandatos.
Com isso, a consolidada fortaleza das redes sociais estimula a produção de conteúdo para estes meios, destituindo a hegemonia televisiva e dando oportunidades para que o trabalho de um maior número de profissionais se destaque. Mas para isso é necessário entender o funcionamento e as peculiaridades de cada uma das redes sociais disponíveis para direcionar a comunicação e se aproximar dos usuários. Mais do que nunca, a comunicação deixou de ser feita de um para muitos. Estamos na era na qual uma simples postagem de um desconhecido pode ganhar força coletiva para influenciar decisões políticas.
Cabe a nós, profissionais da comunicação, atualizar-se constantemente no que se refere a conhecimento e tecnologia, mas também fixar o olhar no que está sendo feito na ponta, nas repercussões geradas e no comportamento do público.
As mudanças do WhatsApp e as relações via aplicativo
Artigo publicado em 04/02/2019
É uma mudança relativamente simples, em minha opinião, porém, com amplo significado simbólico. O Whatsapp limitou o número de encaminhamentos de suas mensagens para até cinco destinatários, quando até então os usuários podiam encaminhar seus conteúdos para até 20 pessoas ou grupos. A mudança tem como objetivo auxiliar no combate às fake news, segundo o próprio Whatsapp. Mais de 1,5 bilhão de pessoas utilizam o aplicativo e usufruem de sua praticidade em todos os tipos de relações, o que amplia o poder de alcance dos conteúdos que ali são compartilhados.
Assim, é interessante reconhecer a iniciativa, mas levando em consideração que aqueles engajados em disseminar fake news talvez não se sintam prejudicados ou limitados, pois basta um novo encaminhamento para que o conteúdo possa chegar a mais cinco pessoas ou grupos. Os limites tecnológicos impostos tendem a ser superados, de uma forma ou de outra, por quem tem má intenção. Aqueles que não originam notícias falsas, mas encaminham conteúdo duvidoso com a clara intenção de ampliar boatos, também se tornam parte de um retrocesso social e enfraquecem as benesses da tecnologia.
O combate às fake news já obteve alguns avanços- e a redução dos encaminhamentos é o mais recente deles- mas creio que o principal progresso até agora tenha sido com relação à consciência que as pessoas adquiriram em duvidar de determinados conteúdos. O poder público e a imprensa também agem neste sentido, evidenciando o quão forte é a capacidade de influência que as fake news atingiram. Porém, nós, usuários do Whatsapp, já não somos tão suscetíveis ao que nos chega via aplicativo. O período eleitoral pode ter fortalecido o nosso senso de desconfiança, pois a quantidade de conteúdos que posteriormente se mostraram falsos foi bastante grande. Entre os 1,5 bilhão de usuários também se encontram pessoas ingênuas, pessoas que são extremamente passivas ao conteúdo que recebem e alheias a uma realidade de condutas de caráter duvidoso. Entre essas pessoas, as fake news proliferam de forma rápida, independentemente do número de encaminhamentos possíveis que o aplicativo possa impor.
O que esperar das campanhas eleitorais?
Artigo publicado no portal Gaúcha ZH em 08/08/2018- https://gauchazh.clicrbs.com.br/opiniao/noticia/2018/08/as-redes-sociais-serao-a-grande-aposta-dos-candidatos-cjklkkhvq01pa01pi6h658pe1.html
A poucos dias do início da propaganda eleitoral, com as definições das convenções
partidárias, as eleições começam a ganhar mais espaço nas discussões, na
imprensa e nas redes, com candidatos se empenhando em subir nas pesquisas e
equipes de campanha prontas para testar suas estratégias. Em termos de
propaganda, acredito que as redes sociais serão a grande aposta dos candidatos
para tentar chegar ao maior número possível de eleitores. O período de
propaganda menor na TV, aliado à redução dos orçamentos de campanha e ao
crescente uso da internet, irá direcionar os esforços dos profissionais de
comunicação para o cenário online, buscando fortalecer a imagem dos candidatos,
divulgar propostas de atuação e convencer o eleitor na hora do voto. Neste
cenário, os vídeos devem seguir em alta, porém com produções cada vez mais
simples e de fácil entendimento, filmados pelos próprios candidatos com seus smartphones, com transmissões ao vivo ou publicadas instantes depois.
Aqueles
que conseguirem, além de conquistar a interação nas redes, garantir o voto no
dia 7 de outubro, farão o uso das plataformas digitais com planejamento e foco
no que o eleitor está buscando. Acusações aos adversários, frases de efeito e
conteúdos vazios não têm mais o mesmo apelo de anos anteriores. Propostas,
posicionamentos e uma boa conduta- na internet e, especialmente, fora dela-
devem captar a atenção do eleitor. A construção da imagem de cada político
precisa, além de buscar diminuir a rejeição à própria categoria, priorizar a
proximidade com os anseios da população, buscando angariar multiplicadores da
imagem do candidato.
A
comunicação assertiva é a principal estratégia de uma campanha vitoriosa, pois
é através dela que o candidato consegue chegar nos locais onde não é possível
chegar fisicamente e convencer o eleitor de que é a melhor opção de voto.
A busca do financiamento coletivo para a campanha eleitoral
Artigo publicado em 02/07/2018
A integração do processo eleitoral com o ambiente da internet avança com uma das novidades da campanha política de 2018: o financiamento coletivo ou crowdfunding. Desde o dia 15 de maio os postulantes aos cargos eletivos estão autorizados a buscar por recursos para suas campanhas na internet. Mas e diante de um cenário político desgastado e das incertezas a respeito de candidaturas e coligações, qual seria a melhor estratégia para convencer o cidadão a contribuir financeiramente com determinada candidatura?
O crowdfunding é utilizado em arrecadações que envolvem ajuda para tratamentos médicos e para o auxílio de pessoas em situação de vulnerabilidade social, por exemplo, razões que tendem a ganhar o sentimento de solidariedade das pessoas. O desafio de angariar recursos dos cidadãos para os pré-candidatos é grande, pois estamos falando de cidadãos que por vezes escolhem seus candidatos sem analisar suas trajetórias ou propostas de trabalho. Como fazer esse cidadão se interessar em destinar uma parte do seu orçamento para a campanha de alguém que está distante da sua realidade direta? Diferentemente de políticos e profissionais envolvidos no planejamento das campanhas, o cidadão ainda não está pensando no processo eleitoral, outro fator que dificulta o convencimento para que uma doação financeira seja realizada.
Uma alternativa é apostar no carisma de alguns candidatos, em propostas que dialoguem com os anseios da população e na responsabilidade social do voto de cada um de nós. Essas alternativas são utilizadas na pré-campanha que boa parte dos candidatos já vêm fazendo, com o diferencial de que a internet e as redes sociais com seus milhões de usuários constantemente conectados ampliam a presença das figuras políticas no cotidiano da população, ponto este que deverá ser bastante explorado. A arrecadação financeira virtual será de bastante valia tanto para campanhas de menor potencial, cujos candidatos recebem menos investimento partidário, quanto para grandes campanhas, pois ambas não podem mais receber doações de pessoa jurídica, o que limita a entrada de recursos volumosos.
As mudanças no Facebook e o impacto em nossas interações na rede
Artigo publicado em 05/03/2018
O ano começou com o Facebook anunciando mudanças nas prioridades de conteúdos: as interações de familiares e amigos terão a preferência na linha do tempo dos dois bilhões de usuários da rede social. Publicações de páginas e influenciadores digitais perdem espaço e influência. Essa alteração promovida pela maior rede social do mundo fará com que estejamos menos expostos aos conteúdos falsos? Espero que sim, pois a capacidade de estrago das fake news corresponde ao tamanho do alcance das redes sociais. Após uma notícia falsa se propagar, é difícil levar a verdade dos fatos às mesmas pessoas que a receberam com o mesmo impacto. E estamos em ano eleitoral no Brasil. Assim, creio que esta alteração anunciada pelo Facebook tenha chegado em boa hora no nosso país.
Apesar dos esforços da polícia federal e da justiça eleitoral, que criaram um grupo de trabalho para combater as fake news, essas entidades, sozinhas, não conseguem fazer um trabalho preventivo, apenas curativo. A garantia da efetividade das ações de pleno combate às fake news está nas mãos dos criadores da rede social, aqueles que detêm o poder de direcionar as interações produzidas pelos usuários. Somos reféns desta forma de comunicação capitaneada pelo Facebook, pois ainda que tenhamos uma pequena autonomia ao determinar as nossas preferências de conteúdos na timeline, não temos nenhum conhecimento sobre os critérios utilizados para selecionar esses conteúdos que teremos acesso. O Facebook é uma empresa privada, que não obriga os usuários a utilizar sua plataforma, mas que conseguiu conectar milhões de pessoas de forma tão intensas que até as empresas, a imprensa e as entidades governamentais se viram levadas a abrir uma conta na rede social para manter contato mais efetivo com o público.
O poder de interação, aliado ao alcance das redes sociais, está construindo novas maneiras de nos relacionarmos, mas também ampliando os riscos de nos alimentarmos e propagarmos fake news. Com as modificações nos algoritmos do Facebook, talvez tenhamos alguma mudança positiva nos conteúdos com o qual estamos em contato.
Os conteúdos falsos e a influência nas eleições brasileiras
Artigo publicado em 19/12/2017
As próximas eleições devem consolidar a influência da internet na decisão do voto. De caráter tímido ainda em 2008, nos Estados Unidos, passando por adaptações e ampliação dos meios de difusão, chegamos à era das criações totalmente pensadas para o digital. Estamos na era em que o Tribunal Superior Eleitoral-TSE do nosso país sente a necessidade de criar um grupo de trabalho para combater fake news- notícias falsas divulgadas da internet, replicadas nas mídias sociais e que podem interferir no processo eleitoral- como ocorrido também nos Estados Unidos quando hackers russos disseminaram informações falsas que teriam prejudicado a candidata derrotada. Deste modo, é compreensível a preocupação do TSE, visto que pesquisa realizada pelo Ibope apontou que 68% das pessoas aptas a votar fazem uso da internet.
A grande massa do eleitorado acessa suas redes sociais com muita frequência e mantém contato com todo tipo de conteúdo. E, normalmente, as pessoas não procuram verificar a veracidade daquilo que estão recebendo e compartilham informações de toda ordem, fazendo com que determinado assunto passe a ser discutido e tomado como verdade. Esse tipo de situação já existia antes da internet e das mídias sociais, porém, agora, seu potencial de devastação está potencializado. Desfazer um boato torna-se tarefa árdua e com resultados inferiores aos alcançados pelas fake news disseminadas.
A polarização política crescente no Brasil- ampliada com as discussões geradas nas mídias sociais- e a disseminação dos discursos de ódio entre correntes partidárias ou apartidárias de pensamentos diversos fortalecem o mau uso das mídias sociais. Neste cenário, onde não há um embate frente e frente, a população, ao que me parece, se sente mais disposta a discutir sobre qualquer assunto, ainda que não seja capaz de discorrer com fluência acerca do que está sendo debatido. Opinar, tomar um lado e julgar o outro de forma negativa encerra a discussão.
Uma notícia de teor falso, planejada para ser amplamente disseminada e tornar-se pauta nas interações das redes, tende a causar danos à nossa democracia. Esse risco é cada vez mais iminente e, cabe a nós, a grande massa da população, cobrar do poder público, da justiça e das empresas de internet que são líderes em número de usuários o combate às fake news. Esse tipo de atuação precisa vir de cima para baixo para surtir efeito de forma rápida e o mais eficaz possível. Empresas como Facebook e Google, os grandes exponentes da internet atualmente, também devem se responsabilizar pelo conteúdo compartilhado em suas plataformas e cumprir efetivamente o papel social conquistado por elas, banindo usuários que espalham conteúdo falso e criando políticas de verificação de autenticidade de perfis e de postagens.
Obter esse tipo de controle é difícil em virtude da grande quantidade de usuários e conteúdos disseminados por segundo. Porém, somente os detentores da tecnologia podem ser capazes de frear aqueles que fazem uso inadequado dos seus meios. A capacidade de verificação e banimento das fake news por parte dos usuários é muito menor e de alcance pouco eficaz.
Ainda que seja possível prever algumas atitudes que estarão presentes na próxima eleição em termos de uso da internet para influenciar decisões, baseados no que acontece em outros países, será durante o período eleitoral que poderemos verificar a real proporção das fake news e as intenções daqueles que estarão no pleito.
terça-feira, 22 de outubro de 2019
Os conteúdos falsos e a influência nas eleições brasileiras
Artigo publicado em 19/12/2017
As próximas eleições devem consolidar a influência da internet na decisão do voto. De caráter tímido ainda em 2008, nos Estados Unidos, passando por adaptações e ampliação dos meios de difusão, chegamos à era das criações totalmente pensadas para o digital. Estamos na era em que o Tribunal Superior Eleitoral-TSE do nosso país sente a necessidade de criar um grupo de trabalho para combater fake news- notícias falsas divulgadas da internet, replicadas nas mídias sociais e que podem interferir no processo eleitoral- como ocorrido também nos Estados Unidos quando hackers russos disseminaram informações falsas que teriam prejudicado a candidata derrotada. Deste modo, é compreensível a preocupação do TSE, visto que pesquisa realizada pelo Ibope apontou que 68% das pessoas aptas a votar fazem uso da internet.
A grande massa do eleitorado acessa suas redes sociais com muita frequência e mantém contato com todo tipo de conteúdo. E, normalmente, as pessoas não procuram verificar a veracidade daquilo que estão recebendo e compartilham informações de toda ordem, fazendo com que determinado assunto passe a ser discutido e tomado como verdade. Esse tipo de situação já existia antes da internet e das mídias sociais, porém, agora, seu potencial de devastação está potencializado. Desfazer um boato torna-se tarefa árdua e com resultados inferiores aos alcançados pelas fake news disseminadas.
A polarização política crescente no Brasil- ampliada com as discussões geradas nas mídias sociais- e a disseminação dos discursos de ódio entre correntes partidárias ou apartidárias de pensamentos diversos fortalecem o mau uso das mídias sociais. Neste cenário, onde não há um embate frente e frente, a população, ao que me parece, se sente mais disposta a discutir sobre qualquer assunto, ainda que não seja capaz de discorrer com fluência acerca do que está sendo debatido. Opinar, tomar um lado e julgar o outro de forma negativa encerra a discussão.
Uma notícia de teor falso, planejada para ser amplamente disseminada e tornar-se pauta nas interações das redes, tende a causar danos à nossa democracia. Esse risco é cada vez mais iminente e, cabe a nós, a grande massa da população, cobrar do poder público, da justiça e das empresas de internet que são líderes em número de usuários o combate às fake news. Esse tipo de atuação precisa vir de cima para baixo para surtir efeito de forma rápida e o mais eficaz possível. Empresas como Facebook e Google, os grandes exponentes da internet atualmente, também devem se responsabilizar pelo conteúdo compartilhado em suas plataformas e cumprir efetivamente o papel social conquistado por elas, banindo usuários que espalham conteúdo falso e criando políticas de verificação de autenticidade de perfis e de postagens.
Obter esse tipo de controle é difícil em virtude da grande quantidade de usuários e conteúdos disseminados por segundo. Porém, somente os detentores da tecnologia podem ser capazes de frear aqueles que fazem uso inadequado dos seus meios. A capacidade de verificação e banimento das fake news por parte dos usuários é muito menor e de alcance pouco eficaz.
Ainda que seja possível prever algumas atitudes que estarão presentes na próxima eleição em termos de uso da internet para influenciar decisões, baseados no que acontece em outros países, será durante o período eleitoral que poderemos verificar a real proporção das fake news e as intenções daqueles que estarão no pleito.
A construção da presença digital nas próximas eleições
Artigo publicado no portal Gaúcha ZH em 16/10/2017
https://gauchazh.clicrbs.com.br/opiniao/noticia/2017/10/a-construcao-da-presenca-digital-nas-proximas-eleicoes-cj8umfue004nm01mq8kqvrf7l.html
https://gauchazh.clicrbs.com.br/opiniao/noticia/2017/10/a-construcao-da-presenca-digital-nas-proximas-eleicoes-cj8umfue004nm01mq8kqvrf7l.html
A menos de um ano das
próximas eleições e com as mudanças- ainda que singelas- trazidas pela reforma
política, os futuros candidatos ao pleito seguem o planejamento das suas
campanhas. Neste cenário, campanhas majoritárias têm as vantagens de se ter uma
equipe de trabalho maior e, aos menores, cabe escolher as melhores ferramentas
para dar conta de se tornar conhecido, explanar posicionamentos e propostas de
campanha. Mas e como ter êxito no planejamento, especialmente o de comunicação?
Entre Facebook, WhatsApp, Instagram, Twitter, etc. qual rede ou quais redes
focar? A primeira escolha natural é o Facebook, maior rede social do mundo com
dois bilhões de usuários. O eleitor está lá. Mas assim como o eleitor os outros
candidatos estarão lá e o primeiro desafio surge aí: fazer-se notar para além
do público cativo, para além do público que segue linhas de pensamento
semelhantes as do candidato e que estão na bolha que os algoritmos do Facebook
nos inserem. Desta bolha é possível se sobressair, ainda que em escala
reduzida, com conteúdo de qualidade e outros itens como o uso de vídeos, links externos, hashtags, emoctions.
A última novidade em
comunicação para as eleições de 2018 será a permissão de anúncios pagos na internet.
Mas ainda há as fake news, notícias falsas
plantadas de forma desonesta e que já são apontadas como poderosas
influenciadoras no cenário político. O monitoramento torna-se ainda mais
essencial. Essencial também é o cuidado na seleção das ferramentas de
comunicação para as campanhas de menor orçamento. É preciso estar presente de
forma efetiva e planejada nas redes. Um candidato só deve manter conta nas
redes sociais com as quais terá equipe capacitada para atender cada uma delas,
ainda que seja em apenas uma. O eleitor, ainda que desacreditado com a
política, está conectado e perceptível aos conteúdos que lhe chegarem. A
presença digital não pode mais ser construída de qualquer maneira ou deixada em
segundo plano.
A era da política na internet
Artigo publicado em 01/12/2016
A última eleição americana e a posterior divulgação de informações que puseram em evidência a força dos players da internet correlacionam o cenário político com a tecnologia e o papel desta na sociedade. Após uma vitória imprevista, especialmente pelas informações originárias da mídia impressa, Facebook e Google passam a ser apontados como influenciadores da vitória do republicano Donald Trump. Os dois grandes nomes da internet passam a ser responsabilizados pela divulgação de notícias falsas a respeito da democrata Hilary Clinton, e posteriormente, declaram restrições aos anúncios que venham de fontes com índole duvidosa.
A última eleição americana e a posterior divulgação de informações que puseram em evidência a força dos players da internet correlacionam o cenário político com a tecnologia e o papel desta na sociedade. Após uma vitória imprevista, especialmente pelas informações originárias da mídia impressa, Facebook e Google passam a ser apontados como influenciadores da vitória do republicano Donald Trump. Os dois grandes nomes da internet passam a ser responsabilizados pela divulgação de notícias falsas a respeito da democrata Hilary Clinton, e posteriormente, declaram restrições aos anúncios que venham de fontes com índole duvidosa.
Historicamente a política faz uso dos meios de comunicação para aproximar-se do eleitorado, o que é uma necessidade da impossibilidade de alcançar todas as pessoas dispostas a votar. Assim, os avanços advindos com a expansão da internet ampliam a presença da política na sociedade: na palma da mão, a qualquer hora e lugar, candidatos e governantes alcançam boa parte da população. Esse alcance, aliado às possibilidades de interação e engajamento espontâneos, solidifica a força da internet. Nas relações humanas um paradoxo se apresenta: de um lado o isolamento social- tamanha a imersão nas redes sociais, por exemplo- e de outro, os povos unidos pela conexão dessas mesmas redes. A política atua nas duas frentes quando age estrategicamente- de forma idônea ou com a divulgação de informações falsas- para chegar a um eleitor previamente selecionado para receber aquela mensagem específica. No coletivo, se faz presente nos ideais dos partidos e grupos de tendências políticas, fazendo de ambos propagadores das ideias planejadas. Quando certas ações ocorrem- como a decisão do Facebook e do Google de bloquear conteúdos não confiáveis- percebe-se o entrelaçamento dos meios, ou seja, veículos impressos pautando ações dos digitais e vice-versa, a interligação do online com o offline. As distinções ficam restritas à forma de produção e disseminação de conteúdos.
Artigo publicado em: https://www.linkedin.com/pulse/era-da-pol%C3%ADtica-na-internet-alessandra-fedeski/
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As profundezas da internet
Artigo publicado no portal Comunique-se em 17/01/2020- https://portal.comunique-se.com.br/as-profundezas-da-internet-por-alessandra-fedeski...
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