O ano começou com o Facebook anunciando mudanças nas prioridades de conteúdos: as interações de familiares e amigos terão a preferência na linha do tempo dos dois bilhões de usuários da rede social. Publicações de páginas e influenciadores digitais perdem espaço e influência. Essa alteração promovida pela maior rede social do mundo fará com que estejamos menos expostos aos conteúdos falsos? Espero que sim, pois a capacidade de estrago das fake news corresponde ao tamanho do alcance das redes sociais. Após uma notícia falsa se propagar, é difícil levar a verdade dos fatos às mesmas pessoas que a receberam com o mesmo impacto. E estamos em ano eleitoral no Brasil. Assim, creio que esta alteração anunciada pelo Facebook tenha chegado em boa hora no nosso país.
Apesar dos esforços da polícia federal e da justiça eleitoral, que criaram um grupo de trabalho para combater as fake news, essas entidades, sozinhas, não conseguem fazer um trabalho preventivo, apenas curativo. A garantia da efetividade das ações de pleno combate às fake news está nas mãos dos criadores da rede social, aqueles que detêm o poder de direcionar as interações produzidas pelos usuários. Somos reféns desta forma de comunicação capitaneada pelo Facebook, pois ainda que tenhamos uma pequena autonomia ao determinar as nossas preferências de conteúdos na timeline, não temos nenhum conhecimento sobre os critérios utilizados para selecionar esses conteúdos que teremos acesso. O Facebook é uma empresa privada, que não obriga os usuários a utilizar sua plataforma, mas que conseguiu conectar milhões de pessoas de forma tão intensas que até as empresas, a imprensa e as entidades governamentais se viram levadas a abrir uma conta na rede social para manter contato mais efetivo com o público.
O poder de interação, aliado ao alcance das redes sociais, está construindo novas maneiras de nos relacionarmos, mas também ampliando os riscos de nos alimentarmos e propagarmos fake news. Com as modificações nos algoritmos do Facebook, talvez tenhamos alguma mudança positiva nos conteúdos com o qual estamos em contato.
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